Se a fortuna inquieta e mal olhada

Se a fortuna inquieta e mal olhada,
Que a justa lei do Céu consigo infama,
A vida quieta, que ela mais desama,
Me concedera honesta e repousada,

Pudera ser que a Musa, alevantada
Com luz de mais ardente e viva flama,
Fizera ao Tejo lá na pátria cama,
Adormecer co som da lira amada.

Porém, pois o destino trabalhoso,
Que me escurece a Musa fraca e lassa,
Louvor de tanto preço não sustenta,

A vossa, de louvar-me pouco escassa,
Outro sujeito busque valeroso,
Tal qual em vós ao mundo se apresenta.