Se a ninguém tratais com desamor
Se a ninguém tratais com desamor,
Antes a todos tendes afeicão,
E se a todos mostrais um coração
Cheio de mansidão, cheio de amor;
Desde hoje me tratai com disfavor,
Mostrai-me um ódio esquivo, ũa isenção,
Poderei acabar de crer então
Que somente a mim me dais favor.
Que, se tratais a todos brandamente,
Claro é que aquele é só favorecido
A quem mostrais irado o continente.
Mal poderei eu ser de vós querido
Se tendes outro amor n'alma presente,
Que amor é um, não pode ser partido.
