Saudades me atormentam cruamente
Saudades me atormentam cruamente,
Saudades do meu bem já passado;
Não sou a tantos males condenado
Sem rezão, pois que posso ser ausente.
Por amor me vi um tempo já contente,
Por amor eu me quis atormentado,
Bem é que veja meu erro tão pagado,
Como o é com minha dor e mal presente.
Que bem mereceu, pois fez tal partida
Não vos ver, ou não me verdes vós, Senhora,
Porque assi pagasse eu com minha vida;
Mais, pois minha alma seu erro chora,
Não queirais que chore a sorte perdida,
Vejam-vos meus olhos branda algũa hora.
