Quantas vezes do fuso se esquecia

Quantas vezes do fuso se esquecia
Daliana, banhando o lindo seio,
Outras tantas, de um áspero receio
Salteado, Laurénio a cor perdia.

Ela, que a Sílvio mais que a si queria,
Pera podê-lo ver não tinha meio,
Ora como curara o mal alheio
Quem o seu mal tão mal curar podia?

Ele, que viu tão clara esta verdade,
Com soluços dezia, que a espessura
Inclinavam, de mágoa, a piadade;

-Como pode a desordem da natura
Fazer tão diferentes na vontade
Aos que fez tão conformes na ventura?