Quanto por muitos dias fui colhendo
Quanto por muitos dias fui colhendo,
Com meus suspiros, tudo perde um dia;
Os sinais que o leão cos pés fazia
Todos a cauda lhe ia desfazendo.
Gozarão outros o que foi rendendo
De meus versos suaves a harmonia,
Cavavam ũa terra que ouro cria
Animais, iam homens recolhendo.
Mas não é mor a glória do pintor
E daquele que alcança a nobre palma,
Sem gozar os despojos da vitória;
Num tosco coração pintei amor,
Fiz com que conhecesse sua glória.
Rendei embora o corpo eu renda a alma.
