Quantas penas, Amor, quantos cuidados
Quantas penas, Amor, quantos cuidados,
Quantas lágrimas tristes sem proveito,
De que mil vezes olhos, rosto e peito,
Por ti, cego, me viste já banhados;
Quantos mortais suspiros derramados
Do coração por tanto a ti sujeito,
Quantos males, enfim, tu me tens feito,
Todos foram em mim bem empregados.
A tudo satisfaz, confesso-te isto,
Ũa só vista branda e amorosa
De quem me cativou minha ventura.
Oh! sempre pera mim hora ditosa!
Que posso temer já, pois tenho visto,
Com tanto gosto meu, tanta brandura?
