O fogo que na branda cera ardia
O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil, que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcancar a luz que vence o dia.
Como de dois ardores se encendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquela Dama, que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista a quem o Sol temores deve!
Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima coracões e pensamentos.
