O raio cristalino se estendia
O raio cristalino se estendia
Por o mundo da Aurora marchetada,
Quando Nise, pastora delicada,
Donde a vida deixava se partia.
Dos olhos, com que o Sol escurecia,
Levando a luz em lágrimas banhada,
De si, do Fado e tempo magoada,
Pondo os olhos no céu, assi dezia:
-Nasce, sereno Sol, puro e luzente;
Resplandece, purpúrea e branca Aurora,
Qualquer alma alegrando descontente;
Que a minha, sabe tu que, desde agora,
Jamais na vida a podes ver contente,
Nem tão triste nenhũa outra pastora.
