O filho de Latona esclarecido

O filho de Latona esclarecido,
Que com seu raio alegra a humana gente,
Matar pode a pitónica serpente
Que mortes mil havia produzido.

Feriu com arco, e de arco foi ferido,
Com ponta aguda de ouro reluzente;
Nas tessálicas praias docemente,
Por a ninfa Peneia andou perdido.

Não lhe pôde valer contra seu dano
Saber, nem diligências, nem respeito
De quanto era celeste e soberano.

Pois se um deus nunca viu nem um engano
De quem era tão pouco em seu respeito,
Eu que espero de um ser, que é mais que humano?