Fermoso Tejo meu, quão diferente
Fermoso Tejo meu, quão diferente
Te vejo e vi, me vés agora e viste,
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
Claro te vi eu já, tu a mim contente!
A ti foi-te trocando a grossa enchente
A quem teu largo campo não resiste,
A mim trocou-me a vida em que consiste
Meu viver contente ou descontente.
Já que somos no mal participantes
Sejamo-lo no bem, ah! quem me dera
Que fossemos em tudo semelhantes!
Lá virá então a fresca Primavera,
Tu tornarás a ser quem eras dantes,
Eu não sei se serei quem dantes era.
