Fermosos olhos, que cuidado dais

Fermosos olhos, que cuidado dais
A mesma luz do Sol mais clara e pura;
Que sua esclarecida fermosura,
Com tanta glória vossa, atrás deixais;

Se por serdes tão belos desprezais
A fineza de amor que vos procura,
Pois tanto vedes, vede que não dura
O vosso resplandor quanto cuidais.

Calhei, colhei do tempo fugitivo
E de vossa beleza o doce fruto;
Que em vão, fora de tempo é desejado.

E a mim, que por vós morro e por vós vivo,
Fazei pagar a Amor o seu tributo,
Contente de por vós lho haver pagado.