Fermosa mão que o coracão me aperta

Fermosa mão que o coracão me aperta,
Se a vontade me tem em si sujeita,
Esta tão doce se mostra contrafeita,
Quando será que a veja cara e certa.

Meu repouso sonhado a dor desperta,
Inteira a pena, a glória é imperfeita;
Que vele em sonhos eu, que aproveita
Se, quando acordado estou, me é encoberta?

Manhosamente amor me favorece
Com mostras dalgum bem cheio de engano,
Um bem que pouco dura e mais empece;

Porque,tornando a vir o desengano,
Acordando-me o mal que me adormece
Faça fugir o bem e dobre o dano.