Fermosa desumana, crua e forte
A uma Dama que jurou de não querer bem a um galante
Fermosa desumana, crua e forte,
Atenta que por ti preso e cativo
Pera mais morto ser não morro, e vivo
Vida que inda é pior que a mesma morte.
Licença a Cloto dá pera que corte
Esse fio penoso, duro, esquivo;
Porque, enquanto não morro, a vida privo
De sua qualidade, nome e sorte.
Ou não cumpras, cruel, o que juraste,
E mostra em socorrer a meu tormento
Piadade, justiça, graça, aviso.
E crê-me que a cumprir não te obrigaste,
Pois não é valioso o juramento
Que contém de terceiro prejuízo.
