Senhora, quem a tanto se atreve
Senhora, quem a tanto se atreve
Que consente em servir vossa lembrança,
Sabendo que a tem sem esperança,
Não é pouco o que por isso se lhe deve.
Mais cala esta alma do que escreve,
Sem esperar que seu mal faca mudança,
Não querendo outra bem-aventurança
Maior do que amor com que vos serve.
Que esperar grandes casos da ventura
É ofender vosso merecimento,
Com esse pagais meu tormento.
Tendo por impossível sua cura,
E inda fique meu pensamento
Devendo a vossa fermosura.
