Senhor João Lopes, o meu baixo estado

Senhor João Lopes, o meu baixo estado
Ontem vi posto em grau tão excelente,
Que sendo vós inveja a toda a gente,
Só por mim vos quiséreis ver trocado.

O gesto vi suave e delicado,
Que já vos fez contente e descontente,
Lançar ao vento a voz tão docemente,
Que fez o ar sereno e sossegado.

Vi-lhe em poucas palavras dizer quanto
Ninguém diria em muitas; mas eu chego
A expirar só de ouvir a doce fala.

Oh! mal o haja a Fortuna, e o Moço cego!
Ele, que os corações obriga a tanto;
Ela, porque os estados desiguala.