Se lágrimas choradas de verdade
Se lágrimas choradas de verdade
O mármore abrandar podem mais duro,
Porque as minhas que nascem de amor puro
Um coração não rendem a piadade?
Por vós perdi, Senhora, a liberdade,
E nem da própria vida estou seguro;
Rompei desse rigor o forte muro,
Não passe tanto avante a crueldade.
Ao prezar de desprezos dai já fim,
Não vos chamem cruel; nome devido
A quem se ri de quem suspira e ama.
Abrandai esse peito endurecido,
Por o que toca a vós, já não por mim,
Que eu aventuro a vida e vós a fama.
