Se em mim, ó Alma, vive mais lembrança
Se em mim, ó Alma, vive mais lembrança
Que aquela só da glória de querer-vos,
Eu perca todo o bem que logro em ver-vos
E de ver-vos também toda a esperança.
Veja-se em mim tão rústica esquivança,
Que possa indino ser de conhecer-vos;
E, quando em mor empenho de aprazer-vos
Vos ofenda, se em mim houver mudança.
Confirmado estou já nesta certeza;
Examine-me vossa crueldade,
Exp'rimente-se em mim vossa dureza.
Conhecei já de mim tanta verdade,
Pois, em penhor e fé desta pureza,
Tributo vos fiz ser o que é vontade.
