Que Diabo há tão danado

Estas trovas mandou o autor da Cadeia, em que o tinha embargado por uma dívida Miguel Roiz, Fios-secos de alcunha, ao Conde do Redondo D. Francisco Coutinho, vizo-rei, que se embarcava para fora, pedindo-lhe o fizesse desembargar.

Que Diabo há tão danado
Que não tema a cutilada
Dos fios secos da espada,
Do fero Miguel armado?
Pois se tanto um golpe seu
Soa na infernal cadeia,
Do que o Demónio arreceia
Como não fugirei eu!

Com rezão lhe fugiria,
Se contra ele e contra tudo
Não tivesse um forte escudo
Só em Vossa Senhoria.
Portanto, Senhor, proveja,
Pois me tem ao remo atado,
Que, antes que seja embarcado,
Eu desembargado seja.