Quando descansareis olhos cansados

Quando descansareis olhos cansados,
Pois que já não vedes quem vos dava vida,
Ou quando vereis fim à despedida
A tantas desventuras e cuidados?

Ou quando quererão meus duros fados
Erguer minha esperança tão caída;
Ou quando, se de todo é já perdida,
Alcançar podereis meus bens passados.

Bem sei que hei-de morrer nesta saudade
Em que meu esperar é todo vento,
Pois nada espero ao que desejo.

E, pois tão clara vejo esta verdade,
Bem pode vir a mim todo o tormento,
Que me não há-de espantar, pois sempre o vejo.