Os vestidos Elisa revolvia
Os vestidos Elisa revolvia,
Que Eneias lhe deixara por memória.
Doces despojos da passada glória.
Doces, quando seu Fado o consentia.
Entre eles a fermosa espada via,
Que instrumento, enfim, foi da triste história;
E, como quem de si tinha a vitória,
Falando só com ela, assi dezia:
- Fermosa e nova espada, se ficaste
Só porque executasses os enganos
De quem te quis deixar, em minha vida,
Sabe que tu comigo te enganaste;
Que, para me tirar de tantos danos,
Sobeja-me a tristeza da partida.
