Ondados fios de ouro reluzente

Ondados fios de ouro reluzente,
Que, agora da mão bela recolhidos,
Agora sobre as rosas esparzidos,
Fazeis que sua graça se acrecente;

Olhos, que vos moveis tão docemente,
Em mil divinos raios encendidos,
Se de cá me levais a alma e sentidos,
Que fora, se eu de vós não fora ausente?

Honesto riso, que entre a mor fineza
De perlas e corais nasce e aparece;
Oh quem seus doces ecos já lhe ouvisse!

Se, imaginando só tanta beleza,
De si com nova glória a alma se esquece,
Que será quando a vir? Ah! quem a visse!