Ondados fios de ouro, onde enlaçado
Ondados fios de ouro, onde enlaçado
Continuamente tenho o pensamento;
Que quanto mais vos solta o fresco vento,
Mais preso fico então de meu cuidado;
Amor, duns belos olhos sempre armado,
Me combate coas forcas do tormento,
Provando da minha alma o sofrimento
Que à justa lei da paz trago obrigado.
Assi que em vosso gesto mais que humano
Amo a paz juntamente e o perigo;
E em amar um e outro não me engano.
Muitas vezes dezendo estou comigo
Que, pois é tal a causa de meu dano,
É justa a guerra, é justa a paz que sigo.
