Na ribeira de Eufrates assentado
Na ribeira de Eufrates assentado,
Discorrendo me achei pela memória
Aquele breve bem, aquela glória,
Que em ti, doce Siāo, tinha passado:
Da causa de meus males perguntado
Me foi: - Como não cantas a história
De teu passado bem, e da vitória
Que sempre de teu mal hás alcançado?
Não sabes que a quem canta se lhe esquece
O mal, inda que grave e rigoroso?
Canta, pois, e não chores dessa sorte.
Respondo com suspiros: - Quando crece
A muita saudade, o piadoso
Remédio é não cantar senão a Morte.
