Minina, não sei dezer,
A uma Dama mal empregada
MOTE
Minina, não sei dezer,
Vendo-vos tão acabada,
Quão triste estou por vos ver
Fermosa e mal empregada.
VOLTAS
Quem tão mal vos empregou,
Pouco de mi se doía,
Pois não viu o quanto me ia
Em tirar-me o que tirou.
Obriga o primor que tem
Lindeza tão extremada,
Que digam quantos a vêem:
Fermosa e mal empregada!
Tomastes da fermosura
Quanto dela desejastes,
E com ela me guardastes
Pera tão triste ventura.
Matáveis sendo solteira,
Matais agora em casada;
Matais de toda a maneira,
Fermosa e mal empregada.
