Juízo extremo, horrífico e tremendo
Tradução dos versos proféticos da Sibila Eritreia, que refere Santo Agostinho, 1, 18, c. 23, da Cidade de Deus, nos quais pelas primeiras letras se lêem Jesus Cristo Filho de Deus e Salvador.
Juízo extremo, horrífico e tremendo,
E Juiz sempiterno, alto e celeste,
Significará a terra, humedecendo.
Ver-se-á nela um suor que manifeste
Como em carne vem Deus, pera que o veja
Homem toda esta máquina terrestre;
Rei justo, que dos corpos e almas seja
Juiz; e quando o mundo cego e inculto
Sobre espinhos cruéis deitado seja,
Todo vão simulacro e gentil culto
Ousará enjeitar a gente; e guerra
Fará co mar o fogo, e cru tumulto.
Imensa luz, que as carnes desenterra,
Lançará fora as portas vãs do Averno,
Um Justo e outro alçando à santa terra.
Outros, que são os maus, no fogo eterno
Deitará, descobrindo-se os segredos,
E sendo claro todo feito interno.
Desfeitos serão montes e penedos,
E será tudo pranto e estridor duro;
Obras de grande dor e tristes medos.
Será tornado o Sol de todo escuro,
E destruída a máquina do mundo,
Sem luz as luzes todas do Orbe puro;
Altos serão os vales, e em profundo
Lugar se abaterão os altos montes;
Vibrará mares vento furibundo;
Haverá só de chamas vivas fontes;
De trombeta tremenda som terríbil,
Ouvido, fará pálidas as frontes.
Responderá dos maus gemido horríbil.
