Já não sinto, Senhora, os desenganos
Já não sinto, Senhora, os desenganos
Com que minha afeição sempre tratastes,
Nem ver o galardão, que me negastes,
Merecido por fé, há tantos anos.
A mágoa choro só, só choro os danos
De ver por quem, Senhora, me trocastes;
Mas em tal caso vós só me vingastes
De vossa ingratidão, vossos enganos.
Dobrada glória dá qualquer vingança
Que o ofendido toma do culpado,
Quando se satisfaz com causa justa;
Mas eu de vossos males e esquivança,
De que agora me vejo bem vingado,
Não a quisera tanto à vossa custa.
