Guardando em mim a Sorte o seu direito

Guardando em mim a Sorte o seu direito,
Em verde me cortou minha alegria.
Oh! quanto feneceu naquele dia,
Cuja triste lembrança arde em meu peito!

Quanto mais o imagino, bem suspeito
Que a tal bem tal desconto se devia,
Por não dizer o mundo que podia
Achar-se em seus enganos bem perfeito.

Pois se a Fortuna o fez por descontar-me
Aquele gosto, em cujo sentimento
A memória não faz senão matar-me;

Que culpas pode dar-me o pensamento,
Se a causa que ele tem de atormentar-me,
Tenho eu de sofrer mal o seu tormento?