Grāo tempo há já que soube da Ventura
Grāo tempo há já que soube da Ventura
A vida que me tinha destinada,
Que a longa experiência da passada
Me dava claro indício da futura.
Amor fero, cruel, Fortuna escura,
Bem tendes vossa forca exp'rimentada;
Assolai, destruí, não fique nada!
Vingai-vos desta vida, que inda dura!
Soube Amor da Ventura, que a não tinha,
E, porque mais sentisse a falta dela,
De imagens impossíveis me mantinha.
Mas vós, Senhora, pois que minha estrela
Não foi melhor, vivei nesta alma minha,
Que não tem a Fortuna poder nela.
