Entre as nuvens se esconde o pensamento
Entre as nuvens se esconde o pensamento
Corrido de se ver qual eu me vi,
E pela glória antiga que perdi,
Me deixa hoje na pena o sentimento.
Armei redes no ar ao leve vento,
Na areia semeei, na água escrevi,
Edifiquei na ideia o que não cri,
Que mal se deixa crer contentamento.
Pensamento cruel, deixa-me em paz,
Que não querem meus males que te creia,
A quem o não souber teus bens publica.
Que eu bem sei quem de ti mais conta faz,
No ar, na areia, na água, na ideia,
Arma, semeia, escreve e edifica.
