Ditosa pena, como a mão que a guia

Ditosa pena, como a mão que a guia
Com tantas perfeições da sotil arte,
Que, quando com rezão venho a louvar-te
Em teus louvores perco a fantesia.

Porém Amor, que efeitos vários cria,
De ti cantar me manda em toda parte,
Não em plectro belígero de Marte,
Mas em suave e branda melodia.

Teu nome, Emanuel, de um ao outro pólo,
Voando, se levanta e te pregoa,
Agora, que ninguém te levantava.

E porque imortal sejas, eis Apolo
Te oferece de flores a coroa
Que já de longo tempo te guardava.