Debaixo desta pedra sepultada

Debaixo desta pedra sepultada
Jaz do mundo a mais nobre fermosura,
A quem a Morte, só de inveja pura,
Sem tempo sua vida tem roubada,

Sem ter respeito àquela assim estremada
Gentileza de luz, que a noute escura
Tornava em claro dia, cuja alvura
Do Sol a clara luz tinha eclipsada.

Do Sol peitada foste, cruel Morte,
Pera o livrar de quem o escurecia;
E da Lua, que ante ela luz não tinha.

Como de tal poder tiveste sorte?
E, se a tiveste, como tão asinha
Tornaste a luz do mundo em terra fria?