Co generoso rosto alanceado
Co generoso rosto alanceado,
Cheia de pó e sangue a real fronte.
Chegou à triste barca de Aqueronte
O grão Sebastião sombra tornado.
Vendo o cruel barqueiro, que forçado
Queria o rei passar, pos-se defronte
Dezendo: - Pelas águas desta fonte
Nunca passou ninguém desenterrado.
O valeroso rei com ira comovido,
Lhe responde: - Oh! falso velho! Porventura
Não passou outrem já com força de ouro?
Pois a um rei banhado em sangue mouro
Ousas tu perguntar por sepultura?
Pergunta-o a quem vier menos ferido!
(A batalha de Alcácer-Quibir, onde morreu D. Sebastião, deu-se a 4 de agosto de 1578, ainda Camões era vivo, vendo assim fracassar as aspirações lusas no Norte de África, que havia mencionado no final da sua epopeia.)
