Árvore, cujo pomo, belo e brando

Árvore, cujo pomo, belo e brando,
Natureza de leite e sangue pinta,
Onde a pureza, de vergonha tinta,
Está virgíneas faces imitando;

Nunca do vento a ira, que arrancando
Os troncos vai, o teu injúria sinta;
Nem por malícia de ar te seja extinta
A cor que está teu fruito debuxando.

E pois emprestas doce e idóneo abrigo
A meu contentamento, e favoreces
Com teu suave cheiro a minha glória,

Se eu não te celebrar como mereces,
Cantando-te, sequer farei contigo
Doce, nos casos tristes, a memória.