Ai, imiga cruel! que apartamento

Ai, imiga cruel! que apartamento
É este que fazeis da pátria terra?
Ai! quem do amado ninho vos desterra,
Glória dos olhos, bem do pensamento?

Is tentar da Fortuna o movimento,
E dos ventos cruéis a dura guerra?
Ver brenhas de ondas? feito o mar em serra,
Levantado de um vento e de outro vento?

Mas, já que vós partis, sem vos partirdes,
Parta convosco o Céu tanta ventura,
Que se avantaje àquela que esperardes.

E só desta verdade ide segura:
Que fazeis mais saudades com vos irdes
Do que levais desejos por chegardes.