Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados!

Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados!
Quão asinha em meu dano vos mudastes!
Com os vossos cuidados me cansastes,
E agora descansais cos meus cuidados.

Fizestes-me provar gostos passados,
E vossa condicão neles provastes;
Singelos nua hora mos levastes,
Deixando em seu lugar males dobrados.

Quanto melhor me fora que não vira
Os doces bens de Amor? Ah bens suaves!
Quem me deixa sem vós, porque me deixa?

De queixar-te, alma minha, te retira;
Alma, de alto caída em penas graves,
Pois tanto amaste em vão, em vão te queixa.