A lá, en Monte Rey, em Bal de Laca,
A lá, en Monte Rey, em Bal de Laca,
A Biolante bi beira de un rio,
Tam fermosa em berdá, que quedé frio
De ber alma imortal en mortal maça:
De um alto e lindo copo a seda laca
A Pastora sacaba fio a fio,
Quando lhe disse: - Morro, corta o fio.
Bolbeo: - Não cortarei, seguro passa.
-E como passarei, se en acá quedo?
Se passar - respondi - não bou seguro,
Que este corpo sem alma morra cedo.
-Com a minha que lebas, te asseguro
Que não morras, Pastor. - Pastora, hei medo
O quedar me parece mais seguro.
