Todo o animal da calma repousava

Todo o animal da calma repousava,
Só Liso o ardor dela não sentia;
Que o repouso do fogo, em que ele ardia,
Consistia na ninfa que buscava.

Os montes parecia que abalava
O triste som das mágoas que dezia;
Mas nada o duro peito comovia,
Que na vontade de outro posto estava.

Cansado já de andar por a espessura,
No tronco de ua faia, por lembrança,
Escreve estas palavras de tristeza:

«Nunca ponha ninguém sua esperança
Em peito feminil, que de natura
Somente em ser mudável tem firmeza.»