Seguia aquele fogo, que o guiava
Seguia aquele fogo, que o guiava,
Leandro, contra o mar e contra o vento,
Quebravam-lhe ondas o animoso alento,
Por mais e mais que o Amor lho renovava
Com sentir já que quase lhe faltava,
Sem nada esmorecer, no pensamento,
Não podendo falar, de seu intento,
O fim ao surdo mar encomendava:
- Ó mar - dezia o moço só consigo-
Já te não peço a vida; só queria
Que a de Hero me salvasses; nao me veja.
Este defunto corpo lá o desvia
Daquela torre. Sê-me nisto amigo,
Pois no meu maior bem me houveste inveja!
