Se da célebre Laura a fermosura
Se da célebre Laura a fermosura
Um numeroso cisne ufano escreve,
Ũa angélica pena se te deve,
Pois o Céu em formar-te mais se apura.
E se voz menos alta te procura
Celebrar (oh! Natércia!), em vão se atreve,
De ver-te já a ventura Liso teve,
Mas de cantar-te falta-lhe a ventura.
No Céu nasceste, certo, e não na Terra:
Fera glória do mundo cá desceste,
Quem mais isto negar, muito mais erra.
E eu imagino que de lá vieste
Pera emendar os vícios que ele encerra,
Cos divinos poderes que trouxeste.
