Quem pudera julgar de vós, Senhora
Quem pudera julgar de vós, Senhora,
Que ũa tal fé pudesse assi perder-vos?
Se por amar-vos chega a aborrecer-vos,
Deixar não posso o amar-vos algũa hora.
Deixais a quem vos ama, ou vos adora,
Por ver a quem quiçá não sabe ver-vos?
Mas eu sou quem não soube merecer-vos,
E esta minha ignorância entendo agora.
Nunca soube entender vossa vontade,
Nem a minha mostrar-vos verdadeira,
Inda que clara estava esta verdade.
Esta, enquanto eu viver, vereis inteira;
E se em vão meu querer vos persuade,
Mais vosso não querer faz que vos queira.
