Queimado sejas tu e teus enganos

Queimado sejas tu e teus enganos,
Amor escandaloso, mau, cruel;
Queimadas tuas frechas, teu cordel
E arco com que fazes tantos danos.

Teus prometimentos tão profanos,
Teus afagos mais doces que o mel,
Eu os veja todos, pois se tornam fel,
No fogo em que queimas os humanos.

Deixo-te eu os olhos desatados
E vejas tu os com que me ataste,
Que bem abastaria tal vingança.

Mas como os mais desesperados
Morrerás mal, se bem o calaste,
Perdendo o remédio da esperança.