Que poderei do mundo já querer

Que poderei do mundo já querer,
Pois no mesmo em que pus tamanho amor.
Não vi senão desgosto e disfavor,
E morte, enfim, que mais nao pode ser?

Pois me não farta a vida de viver,
Pois já sei que não mata grande dor,
Se houver cousa que mágoa dê maior,
Eu a verei; que tudo posso ver.

A morte, a meu pesar, me assegurou
De quanto mal me vinha; já perdi
O que a perder o medo me ensinou.

Na vida, desamor somente vi;
Na morte, a grande dor que me ficou.
Parece que pera isto só nasci!