Que me quereis, perpétuas saudades?
Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperanças inda me enganais?
O tempo, que se vai, não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.
Rezão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto sois iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.
Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa; porque os dias
Tem o primeiro gosto já danado.
Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o tempo irado
Que do contentamento são espias.
