Quando, Senhora, quis Amor que amasse

Quando, Senhora, quis Amor que amasse
Essa gra perfeição e gentileza,
Logo deu por sentença que a crueza
Em vosso peito Amor acrescentasse.

Determinou que nada me apartasse,
Nem disfavor cruel, nem aspereza,
Mas que em minha raríssima firmeza
Vossa isenção cruel se executasse.

E, pois tendes aqui oferecida
Esta alma vossa a vosso sacrifício,
Acabai de fartar vossa vontade.

Não lhe alargueis, Senhora, mais a vida;
Acabará morrendo em seu ofício,
Sua fé defendendo e lealdade.