Quando da vossa vista me apartava,

Quando da vossa vista me apartava,
O duro mal da ausência já sentia;
A água que dos olhos vos corria
O fogo em que eu ardia acrescentava.

A alma que convosco me ficava,
Contente do efeito que em vós via,
De todo o bem passado que esquecia
E só no mal presente se ocupava.

Lágrimas poderosas, que o desejo
Me obrigais que vos ame seu tormento,
O coracão adore dor que sente:

Bem sei que me enganais, que claro vejo
Com chorardes por mim quando me ausento
É porque sinta mais o estar ausente.