Por sua ninfa, Céfalo deixava

Por sua ninfa, Céfalo deixava
A Aurora, que por ele se perdia,
Posto que dá princípio ao claro dia,
Posto que as roxas flores imitava.

Ele, que a bela Prócris tanto amava
Que só por ela tudo enjeitaria,
Deseja de tentar se lhe acharia
Tão firme fé como ela nele achava.

Mudado o traje, tece um duro engano:
Outro se finge, preço põe diante;
Quebra-se a fé mudável, e consente.

Oh! sutil invenção pera seu dano!
Vede que manhas busca um cego amante,
Pera que sempre seja descontente!