Pois a tantas perdições
A umas Senhoras, que haviam ser terceiras para com uma Dama
Pois a tantas perdições,
Senhoras, quereis dar vida,
Ditosa seja a ferida
Que tem tais cirurgiões!
Pois ventura
Me subiu a tanta altura
Que me sejais valedoras,
Ditosa seja a tristura
Que se cura
Por vossos rogos, Senhoras!
Ser minha pena mortal,
Já que entendeis, que é assi,
Não quero falar por mi,
Que por mim fala meu mal.
Sais fermosas,
Haveis de ser piadosas,
Por ser tudo dũa cor;
Que pois Amor vos fez rosas
Milagrosas,
Fazei milagres de amor.
Pedi a quem vós sabeis,
Que saiba de meu trabalho,
Não pelo que eu nisso valho,
Mas pelo que vós valeis.
Que o valer
De vosso alto merecer,
Com lho pedir de giolhos,
Fará que em meu padecer
Possa ver
O poder que têm seus olhos.
Vossa muita fermosura
om a sua tanto val'
Que me rio de meu mal,
Quando cuido em quem me cura.
A meus ais,
Peco-vos que lhe valhais,
Damas de Amor tão validas,
Que nunca tal dor sintais,
Que queirais
Onde não sejais queridas.
