Parece-me, pastor, se mal não vejo

Interlocutores: ANZINO e LIMIANO

Parece-me, pastor, se mal não vejo,
Que já te vi mais ledo andar outrora
Nos largos campos do famoso Tejo?

LIMIANO
Podia ser; que muito tempo fora
Andei desta ribeira, pátria minha,
Onde triste me vês andar agora.

Tinha lá pera mi, que a vida tinha
Mais sossegada cá e mais segura,
Entre os meus, que com gosto a buscar vinha.

Foi doutro parecer minha ventura,
Discórdias sós achei, e achei dureza,
Em lugar de sossego, e de brandura.

Achei as boas leis da Natureza
Vencidas do interesse; e a gente cega,
Tanto, que mais que o sangue, o gado preza.

Dizem que quando o mar bonança nega,
Correndo vai aquela nau mor p'rigo,
Que à desejada terra mais se chega.

Assi me aconteceu a mi comigo;
Seguro sempre ao longe, sempre ledo;
Triste ao perto, e tratado como imigo.

ANZINO
Sempre (podes-me crer este segredo)
Desejei de te ver; mas com desgosto,
Inda te não quisera ver tão cedo.

Prestando pera cousas de teu gosto,
Como camaleão não mudo cores;
Qual é meu coração, tal é meu rosto.

LIMIANO
Não são logo assi, não, outros pastores,
Que de promessas vãs te fazem rico,
E nunca fruito dão, tudo são flores.

Mas desejo saber com quem pratico,
Porque não caia em falta, e porque entenda
A quem tamanho amor devendo fico.

ANZINO
Antes que tempo nisso se dispenda,
Busquemos um lugar mais fresco e frio,
Que da calma que cai, bem nos defenda.

LIMIANO
Vamos ali, que ali bosque sombrio
Nos dará fresco abrigo, assento o prado,
Fermosa vista o vale, o monte, o rio;

O rio, que verás tão sossegado,
Que te parecerá que se arrepende
De levar água doce ao mar salgado.

Nem cabra, nem ovelha ali ofende
Erva, folha, nem flor, ou ferro duro;
A planta polo ar livre se estende.

Verás caindo em gotas cristal puro
No vão dũa caverna carcomida,
Por antre o musgo mole, verde-escuro.

ANZINO
Quem traz à saudade a alma rendida,
A saudade busca, onde descansa;
Mas o descanso dela encurta a vida.

Contudo, quem do céu na terra alcança
Poder gozar-se desta liberdade,
Que mais deseja ter? que mais o cansa?

Afirmo-te de mi esta verdade,
Que muitos vales vi, muitas ribeiras;
Mas esta me dobrou a saudade.

Oh! que viçosas murtas! que oliveiras!
Que freixos! como estão de hera cingidos!
Quantas voltas lhes dá de mil maneiras!

Os lírios junto da água bem nascidos
Quanta graça que têm entre as boninas,
Sem ordem, com mais graça entremetidos!

Vem encrespando as águas cristalinas
A branda viração; a folha treme;
O movimento apenas determinas.

A rola seu amor suspira e geme;
Escondida se queixa Filomela;
Parece que do campo inda se teme.

Espanta a quem se atreve, ver aquela
Rocha por cima da água pendurada
Como já se não deixa cair nela.

Ó ribeira do Lima, celebrada
De mil brandos espritos sempre sejas,
Sempre de brandas Ninfas povoada.

Fujam longe de ti duras envejas;
Peçonha de pastores, morte sua;
Tudo sintas amor, tudo amor vejas.

De dia o claro Sol, de noute a Lua,
Em teu favor inspirem de maneira,
Que sempre fértil seja a praia tua.

Tornando, enfim, à prática primeira,
Por dar-te, como queres, de mi conta,
Larga ta quero dar e verdadeira.

Apartar-te do gado leva em conta;
Que, pois com ele fica o pegureiro,
Que te detenha um pouco, pouco monta.

O meu nome é Anzino: fui vaqueiro
Na grã Serra da Estrela, que não tive;
Não sei se natural, ou se estrangeiro.

Um pastor me criou, que já não vive;
De todos por seu filho era julgado;
E eu também neste engano um tempo estive.

Até que dele soube ser achado
Em ũa anzina envolto em pobres panos;
E daqui veio, que Anzino fui chamado.

Neste meu desengano outros enganos
Fundou de novo a pouca dita minha,
Com que o vim a servir mais de sete anos.

Tinha muito de seu e mais não tinha
De filhos, que ũa filha bem fermosa,
À qual por morte dele tudo vinha.

Conversação doméstica e danosa,
Na livre fermosura e tenra idade,
Em ambos acendeu chama amorosa.

Como ela de mi soube esta verdade,
Com outro amor, com outros exercícios,
Nela ganhei de novo outra vontade.

Amor mestre me fez de mil ofícios
Pera meio do fim que desejava;
E dele sinal davam mil indícios.

Tecia alvos cestinhos, quando andava
Com as vacas no prado, à noute um cheio
De fruita, outro de flores lhe levava.

Nas mangas, muitas vezes, e no seio
As nozes lhe levei com as castanhas,
Quer do souto do pai, quer doutro alheio.

Nos intrincados bosques, nas montanhas,
Por seu amor as feras perseguia,
Forças agora usando, agora manhas.

Vivos, os mansos cervos lhe trazia;
Vivas, medrosas lebres fugitivas;
Ligeireza de pés não lhes valia.

Mas, se lhe dava as mansas feras vivas,
Mortas lhe dava as que por Natureza,
Sem domar-se, são bravas, ou esquivas.

Certo dia achei eu nũa aspereza,
Sem mãe, um cervo branco e pequenino;
Trouxe-lho; ela o criou; inda hoje o preza.

Ou já criação seja, ou já destino,
Tanto que não o vê, geme e suspira.
Como menos fará o triste Anzino?

Tangia mal na frauta, mal na lira;
Depois tão bem tangia, que era espanto
A quem antes de amor tanger me ouvira.

Ouvia celebrar sempre em meu canto
Ulina a sua rara fermosura;
(Tal nome tem aquela, a que amo tanto.)

Contava-lhe meus males por figura:
Ficava eu, de medroso, frio e mudo;
Ficava ela suspensa; a história escura.

Assi com tal temor, com tal estudo,
Amor fui granjeando longamente,
À conta deste amor perdendo tudo.

Ela, dos meus desejos inocente,
O mesmo amor me tinha, tanto, digo,
Que no ser era tudo diferente.

Praticava seus gostos só comigo;
Seus desgostos também, seus pensamentos,
Com rara graça e com saber antigo.

Outras vezes, confusa nos intentos,
Os modos me notava, e me dezia:
Antre irmãos de que servem cumprimentos?

Eu quisera, Senhora (respondia),
Que soubesses de mi, que irmão não sendo,
Não com menos amor te serviria!

Tornou-me: Essa resposta não entendo;
O que não quis o céu, queres que seja?
Que castelos no vento andas fazendo?

Se me queres ver leda, não te veja
Soltar essas palavras ociosas;
Matéria mais honesta nos sobeja.

Dezendo assi, nasciam-lhe outras rosas
Naquelas próprias suas, sobre a neve
Das suas faces mais que o Sol fermosas.

Destas quebras comigo algũas teve;
Cujas forças amor quebrava logo
Noutra conversação mais branda e leve.

Cresceu desta maneira o vivo fogo,
Que ardendo dentro na alma encurta a vida;
Cujo princípio foi um brinco, ou jogo.

Mas ela neste tempo era pedida
De muitos a seu pai em casamento;
Nova dor pera mi, mortal ferida!

Ele, lhe nomeava mais de cento,
Deles, paternamente lhe rogava
Um escolhesse a seu contentamento.

Com mil rezões fingidas se escusava,
Sendo só a rezão, não ser contente;
Com que desgosto ao pai, gosto a mi dava.

Estando nós por ũa sesta ardente
A sombra duns medronhos repousando,
Afastados da casa e mais da gente;

Já dũa e doutra cousa praticando;
Soltou com um suspiro estas palavras:
- Desde ontem pera cá em mi não ando.

Logo que nosso pai tornou das labras,
Me disse que assentara de casar-me
Com Títiro, pastor de muitas cabras.

Que não buscasse causas de escusar-me,
Como por muitas vezes já fizera,
Pois tinha muitas mais de contentar-me.

Que afora esta tenção, que a sua era,
O mesmo seus parentes lhe deziam,
A quem de seus intentos conta dera. –

As águas, que dos olhos me corriam,
Enquanto ele me disse o que te digo,
Por mi, que fiquei muda, respondiam.

Com seu choro abrandou ao pai amigo;
Que enfim, deixando-a menos magoada,
Lhe disse que falasse isto comigo.

Assi me disse; e que determinada
Estava a qualquer mal que lhe viesse,
Antes que ser com Títiro casada.

Que por mais de mil cabras que tivesse,
Jamais esta vontade mudaria;
Que buscava saber, não interesse.

E que de milhor mente casaria
Com um qualquer pastor, pobre de gado,
Se nele as partes visse que em mi via.

Por extremo de mi lhe foi louvado
O pensamento seu; e sem detença
Tal resposta lhe dei acautelado.

Se a dar meu parecer me dás licença,
Um pastor te darei de qualidade,
Que em nada de mi tenha diferença;

Nem de menos saber, nem mais idade;
Nas manhas outro tal, e em corpo e gesto;
Da fazenda não sei a quantidade.

Se esse me fazes bom, daqui protesto
De não receber outro por marido;
Me respondia com semblante honesto.

Pois sabe (respondi) que já admitido
Me tens com gosto teu por teu esposo;
Que com dar-te-me dou o prometido.

Não pude dezer mais, de vergonhoso,
Nem ela me deixou com ouvir tal,
Suspeitando de mi amor vicioso.

Logo me respondeu: Ah! desleal!
Ah! desonesto irmão! isso pretendes?
Mas não, irmão, imigo capital.

O Céu, que com injusto amor ofendes,
Tome, cruel, de ti justa vingança,
Antes que de tamanho error te emendes.

Andavas-me enganando na esperança
Com esses falsos e indevidos meios
Ao sangue nosso e minha confiança?

Fizestes verdadeiros os receios,
A que confusamente me levavas
De sombras enganosas com rodeios.

Desejo no teu peito agasalhavas
Tão torpe, tão infame, tão alheio
Do puro amor a que obrigado estavas?

Não te desculpes, não; que já não creio
Lágrimas, nem palavras, nem desculpas
De quem imaginou caso tão feio.

Tímido respondi: - De que me culpas?
Se ouvido me não dás, não tens rezão;
Acaba de me ouvir o fim das culpas.

Tem-me, Ulina, por teu, não por irmão;
Se me não queres crer esta verdade,
De teu pai saberás se minto, ou não.

Por filho me criou, a flor da idade
Gastei em o servir por teu respeito,
Olha o que te merece esta vontade.

Se com ser isto assi tenho erro feito
Em granjear-te, que a ti só desejo,
Eis este ferro aqui, eis este peito. –

Isto ouvindo, mostrou um ledo pejo,
Pondo os olhos no chão, fermosa e branda;
E cuido que inda assi nos meus a vejo.

Disse-me:- Em que revoltas o amor anda!
No bem, como no mal, também me enleia;
Inda agora o senti, já reina e manda.

Como queres, Anzino que eu te creia
Cousa que nem sonhada foi té'gora?
Não sabes de quem ama, o que receia?

Falarei com meu pai, fica-te embora,
No desengano seu teu bem consiste;
Da palavra que dei não estou fora. -

Com isto me deixou alegre e triste.
O começo já ouviste de meu dano,
Amigo Limiano: o fim amargo,
Em que não serei largo, escuta agora.
Fulgência, outra pastora, que vizinha
Era da amada minha e grande amiga
(Não sei como isto diga que não moura),
Pastora branca e loura, que na serra
Era a segunda guerra dos pastores,
Por mal dos meus amores me quis bem.
Fundava-se porém em casamento;
E deste fundamento lhe nascia,
Que, como me não via, o vale, o monte,
O bosque, o rio, a fonte rodeava.
Em busca minha andava aquela sesta;
Entrou pola floresta, onde nos viu;
E tudo nos ouviu quanto falamos,
Antre uns espessos ramos escondida.
Cruelmente ferida dos ciúmes,
Foi-se a fazer queixumes (descobrindo
Mais do que esteve ouvindo) ao pai de Ulina.
Eis logo desatina o triste velho;
Eis que sem mais conselho a filha entrega,
Que com choro se nega e com palavras,
Ao simples guarda-cabras, por esposa.
Ah! hora desditosa! ah! sorte dura!
Daquela fermosura desusada,
De tantos desejada, e de mi tanto
Servida com espanto e puro amor,
Quiseste, por mais dor, enriquecer
Quem não sabe entender o preço dela?
Ó tu, Serra da Estrela, que tal viste,
Como te não abriste; e no teu centro
Me não cerraste dentro, estando vivo,
Porque mal tão esquivo não sentira?
Oh! cega, oh! cruel ira! oh! pai fingido!
Pera me ver perdido me criaste?
Porque me não deixaste no deserto?
Menos crueza, certo, então usaras,
Inda que me deixaras (não te agraves)
Às cruas feras e aves da montanha.
Não vês que o céu estranha isso que tratas?
Não vês que a ti te matas cobiçoso?
Na porta o novo esposo tropeçou;
Na casa não entrou co pé direito:
Gritou sobolo teito a noute inteira
A ave, que é mensageira de fins tristes.
O mesmo vós sentistes, cães da aldeia,
Quando por má estreia, juntos todos,
Com diferentes modos uivastes.
Serranas, que esperastes nestas vodas
Cantar alegres todas Himeneus,
Dos vossos alvos seios, alvas flores,
Em lugar dos licores mais custosos,
Por cima dos esposos derramando;
Ou vendo estar bailando, estando quedas,
Ao som das gaitas ledas no terreiro
0 moço tão ligeiro à maravilha,
Que quase o pé não trilha o junco mole;
Qual será que console a triste amiga,
A quem a força obriga do pai duro,
A quem o Amor puro obriga tanto,
Que num contino pranto se consume?
Assi do grande cume da esperança
Com súbita mudança derribado,
Me pôs em tal estado a triste nova,
Como sabe por prova quem bem ama.
Levou a leve fama a minha dor
A Sincero pastor, meu grande amigo,
Que com rogos consigo me levou,
Do monte, onde me achou, já noute escura,
Chorando a desventura em que me via.
As vacas, vendo o dia, derramadas,
De mi desamparadas, vêm bramando,
Sinal na aldeia dando em seu bramido
De que era já perdido o pastor seu.
Tamanha pena deu à bela Ulina
(Bela, porém mofina) a pena minha,
Sobre quantas já tinha no seu peito,
Que mais do triste leito não se ergueu.
Seu pai adoeceu também de nojo;
Da morte foi despojo ao dia quinto,
A dor que daqui sinto é sem medida.
Pois me apartou da vida, a vida acabe,
Ou na alma, onde não cabe, faça pausa.
Fulgência, que foi causa destes males,
Dês que montes e vales descobriu,
Depois que me não viu em toda a serra,
Deixou, deixando a terra, mágoa aos pais,
Que dela nunca mais novas souberam.
Enfim, tal fim tiveram meus amores,
Choraram os pastores juntamente
De Ulina descontente a triste sorte,
Do pai a breve morte, e de Fulgência
A vingadoura ausência de seu erro;
De mi este desterro em que me pôs.

Mas mais chorastes vós, meus olhos tristes,
Quando de vossa luz, sem a do dia,
Por terras tão estranhas vos partistes.

Cuido que meia-noute então seria;
Cantando os galos já na triste aldeia,
Chorava só quem dela se partia.

Casa de meus suspiros sempre cheia
(Disse eu, quando passei pela de Ulina)
Tal fruito colhe quem amor semeia!

Fortuna, a mi cruel, sempre benina
Em tudo seja àquela que em ti mora,
Inda que em outros braços se reclina.

Fica-te aqui, minha alma, fica embora,
Que, pois assi o quis fado inimigo,
Jamais te não verei dia nem hora.

Dali nos ricos campos dei comigo,
Que das águas do Tejo são regados;
Onde te vi mais ledo, como digo.

Por ver se posso agora a meus cuidados
Achar algum repouso, algum sossego,
Atravessando vou montes e prados.

Passei as claras águas do Mondego,
Das Lusitanas Musas caro ninho;
As do Douro depois em turvo pego.

Daqui continuando meu caminho,
Espero ver a casa aos céus aceita,
Na terra que da nossa aparta o Minho.

Onde vou visitar na urna estreita
Os santos ossos do Varão divino,
Que pretendeu do Mestre a mão direita.

Assi, dum lugar noutro de contino,
O bem que já cantei, chorando venho;
Tornei-me de vaqueiro, Peregrino:

Tal hábito me vês, tal vida tenho.

LIMIANO
Anzino, é breve o dia
Pera poder contar
O que sinto de tua desventura.
E sei bem que erraria,
Se quisesse louvar
O grave estilo teu, tua brandura.
Aquela fermosura,
Por quem alegre foras;
Que tu ledo cantaste,
E que depois choraste
Tão triste, que inda agora triste choras;
Vivendo eterna nela,
Será mágoa comum e louvor dela.

As mágoas deixo enfim;
Também louvores deixo,
Por grandes elas, eles por pequenos,
Tu, por mor de mim,
(Dir-te-ei de que me queixo)
Repousa hoje comigo, quando menos:
Assi vejas serenos
Esses teus tristes lumes.
Abranda a dura mágoa,
Que tira fontes de água
Do fogo em que chorando te consumes;
Dar-te-ei conta mais larga
Da vida que aqui passo tão amarga.

E mais saber desejo
Se a fama nos engana,
Que diz, que o grão Pastor dos Lusitanos,
Com todos os do Tejo,
E com fato e cabana,
Reside já nos campos africanos;
Onde mil soberanos
Triunfos, dele dinos,
Lhe ordena a fatal sorte,
Com grande estrago e morte
Dos brutos mal nascidos Sarracinos,
Que de si despejados
Os currais deixam já cheios de gados.

Que sendo assi, te digo
Que não espero mais
Nesta pera mi sempre ingrata terra.
Quem traz guerra consigo
Entre seus naturais,
Não deve de estranhar estranha guerra.
Sem mi de serra a serra,(O céu assi o queira)
Logrem meus inimigos
Os vales e pacigos
Desta, donde nasci, fresca ribeira;
Na qual (se não me engano)
Inda será chorado Limiano.

ANZINO
Limiano, já bem tenho entendido
Quanto sentes meu mal, mas eu te digo
Que o teu mal é de mi menos sentido.

Acerca de ficar hoje contigo,
Farei, pois (já que assi nos detivemos)
Tudo o que tu quiseres, como amigo.

E, pois o dia já passado temos,
Vamos-nos mais chegando pera o gado;
E lá nas outras cousas falaremos.

Todavia de funda e de cajado
Te vai apercebendo a som de guerra;
Que não foi tal pastor cá do céu dado,

Pêra não dar ao céu tão larga terra.