Nunca em amor danou o atrevimento

Nunca em amor danou o atrevimento;
Favorece a Fortuna a ousadia;
Porque sempre a encolhida covardia
De pedra serve ao livre pensamento.

Quem se eleva ao sublime Firmamento,
A estrela nele encontra, que lhe é guia;
Que o bem que encerra em si a fantesia,
São ũas ilusões que leva o vento.

Abrir-se devem passos à ventura;
Sem si próprio ninguém será ditoso;
Os princípios somente a sorte os move.

Atrever-se é valor, e não loucura;
Perderá por covarde o venturoso
Que vos vê, se os temores não remove.

Intertextualidade com os poemas da Mensagem de Fernando Pessoa, em que o conceito de loucura surge como um bem, inerente à própria humanidade. Por exemplo, em "D. Sebastião, Rei de Portugal".