Nos braços de um silvano adormecendo
Nos braços de um silvano adormecendo
Se estava aquela ninfa que eu adoro,
Pagando com a boca o doce foro,
Com que os meus olhos foi escurecendo.
Ó bela Vénus! porque estás sofrendo
Que a maior fermosura do teu coro
Em um poder tão vil perca o decoro
Que o mérito maior lhe está devendo?
Eu levarei daqui por pressuposto,
Desta nova estranheza que fizeste,
Que em ti não pode haver causa segura.
Que, pois o claro lume,o belo rosto
Aquele monstro tão disforme deste,
Não creio que haja amor, senão Ventura.
